First Man Review

“Huston, Tranquility Base here, the eagle has landed”, disse Neil Armstrong ao conseguir alunar com sucesso a bordo do Módulo Lunar Apollo.

E é em torno deste homem que o filme First Man se foca. Uma obra biográfica que, ao contrário de outros tantos filmes baseados na história da viagem a lua, se foca principalmente em Armstrong e na sua família, desde as suas origens enquanto piloto, ao impacto que os treinos e as diferentes missões Gemini e Apollo tiveram nele e em todos aqueles que o rodeavam. As suas perdas, as suas vitórias, as suas batalhas, e tudo pelo que passou para proclamar a famosa frase “That’s one small step for a man, one giant leap for mankind”. É um filme que sabe o que quer ser, muito focado, faz um trabalho fenomenal em conseguir pôr-nos na pele de Armstrong e da sua mulher, Janet.

Não ignora, ainda assim, o clima de tensão que a nação passava na altura, tanto pela Guerra Fria, como pelas questões levantadas pelo cidadão comum, “Porque tenho eu de passar fome e viver na lixeira quando há milhões a serem gastos para pôr o homem na lua?”.

Damien Chazzelle, realizador de Whiplash e La La Land, que se estreia num estilo de filme completamente diferente do que nos acostumou, não deixando por isso de fazer um trabalho magnífico na realização do filme, consegue tão rápido transportar-nos para os magníficos planos lunares, transmitindo uma sensação de isolamento, como para dentro de um módulo espacial com Armstrong, fazendo-nos sentir a tensão e a violência das missões espaciais, como para um momento pessoal com Janet ou Neil, onde, através de planos aproximados faz-nos também a nós sentir próximos destas personagens, partilhar os seus medos e as suas angústias.

Isto, claro, é também mérito dos atores Ryan Gosling e Claire Foy, o casal Armstrong, que na minha opinião são as estrelas do filme. Gosling já nos habituou a excelentes performances, e desta vez não foi exceção, mas a grande surpresa foi sem dúvida Foy, que, com muito sucesso, conseguiu carregar as dores e a ansiedade da família Armstrong e transmiti-las ao espectador.

Outro grande ponto forte do filme, talvez o mais forte, é sem dúvida a banda sonora, como não podia deixar de ser com Chazzelle. Quem conhece o trabalho do realizador sabe a paixão que este tem pela música e irá certamente sentir-se em casa ao ouvir o piano, e não só, com as suas notas familiares, sempre capazes de transmitir o tom e peso das respetivas cenas.

First Man é um filme não só sobre as conquistas de uma nação mas também, e principalmente, sobre a luta do homem que pisou a lua pela primeira vez. Acompanhado de uma realização e performances espetaculares e uma banda sonora igualmente impressionante, First Man poderá vir a tornar-se a o filme definitivo dentro do seu género (sorry Tom Hanks).

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