Os Licenciados do Big Mac

Como é que é fofinhos e fofinhas? Estamos bem ou quê? Só para dizer que hoje vou ofender um de vocês. Porquê um? Porque tenho fé que as outras duas pessoas que lêem isto sejam inteligentes.

Tava a brincar, eu sei que só tu é que lês isto avó, beijinho.

Adiante, fica o aviso de qualquer forma.

Ora bem. Durante a minha frequência do magnífico estabelecimento de ensino que é o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, tive a oportunidade de conviver com algumas alunas e alunos da Licenciatura em Dança. Tava a brincar, eram só alunas.

E vocês dizem, “De dança? Mas dança não é engenharia!”. Bem observado, mas desde o início do ano de 2018 que a Escola Superior de Dança se encontra, provisoriamente, nas instalações do ISEL. E porque? Porque a Escola Superior de Dança em Benfica era basicamente um barracão a cair de podre.

Agora também é um barracão a cair de podre, com o diferencial de que, dito barracão, se encontra no Instituto que formou o selecionador que fez de Portugal campeão europeu de futebol. São os detalhes que importam, percebem?

E para que vos estou a dizer isto tudo? Pá, coiso. Ora, há uns tempos tive oportunidade de ver umas moças do curso de dança a contar trocos. Foi vergonhosamente hilariante. E eu pus-me a pensar, como infelizmente faço com alguma frequência…

Se há alguma coisa que podiam ensinar no curso superior de dança, era a contar trocos, não acham? Seria uma habilidade extremamente útil para o futuro daqueles jovens.

O que se aprende numa licenciatura em dança, não é? Ou em cinema? Ou pintura?
Não querendo desvalorizar este tipo de curso, mas será que necessitamos realmente de ter licenciaturas para este tipo de coisa?

Não reduziamos o número de licenciados no desemprego, ou a receber o ordenado mínimo, se agarrássemos nestas licenciaturas e as transformássemos noutra coisa? Será que preciso de estudar 3 anos para saber tudo o que há para saber sobre serviço social ou turismo? E ainda que a resposta seja sim, será que justifica fazê-lo quando é quase garantido que vou acabar no desemprego?

São cursos que só se devia poder tirar depois de já ter uma licenciatura noutra coisa qualquer, chamávamos-lhes Complementos, ou uma treta qualquer.

Eu gostava de estudar cinema, por exemplo, mas simplesmente porque sou nerd e gosto do meio, não necessariamente porque espero ser o novo Spielberg.

Porque o problema não está nas áreas de estudo em si, mas talvez na nomenclatura, e principalmente no estigma que existe de que para ser alguém na vida tenho de ter um curso superior. É claro que para certas áreas ajuda ou é até fundamental, mas que vantagens trará a um dançarino ter um curso superior na área, tásjaver?

Aposto a pontinha do prepúcio como nenhum, repito, nem um único dos maiores bailarinos e dançarinos da atualidade tem um curso superior em dança. Quem me provar o contrário pode reclamar a recompensa, mas olhem que a minha cadela morde.

Mas o problema é um bocado esse não é? Ainda vivemos numa sociedade presa na ideia do status quo de há 30 ou 40 anos atrás, quando o licenciado era doutor e estava numa espécie de pedestal. Mas como já é hábito, os tempos mudaram, mas as mentalidades não. E é por isso que temos arquitectos, pintores e toda uma panóplia de licenciados a servir Big Macs e a conduzir Ubers.

Para quando uma licenciatura em Chauffeur ou em Cashier? Até são estrangeirismos sonantes, tem tudo para resultar.

Fica a dica, fica a dica…

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