Como Manda A Tradição, Não Há Tourada Sem Morcão

Para quem não sabe o que é um morcão, é alguém que denota uma certa falta de inteligência, é um estúpido, vá. Decidi começar por um insulto, porque como tenho razão e argumentos infalíveis, tinha que dar algo, lá está, aos morcões, para me criticarem.

Ora, hoje venho falar um pouco da estupidez humana. Hoje venho falar de touros e baleias. Hoje venho, a cima de tudo, falar de tradição.

Sensivelmente a meio do ano passado, o Japão apresentou um pedido à Comissão Baleeira Internacional (CBI), para retomar a caça comercial de baleias. A CBI recusou este pedido, pois isto colocaria em causa a conservação das espécies de cetáceos, algumas delas que se encontram em perigo de extinção. Isto levou a que, no final de Dezembro de 2018, o Japão abandonasse a CBI, alegando que a caça de baleias é uma prática importante e uma tradição centenária do país. A caça da baleia retoma a todo o gás este verão.

E surge aqui, mais uma vez, a tradição. A tradição como desculpa de um comportamento desumano. Podemos nós, usando a tradição como escudo protetor, não só causar sofrimento, porque a caça a baleia não é propriamente uma coisa bonita, e mais grave ainda, possibilitar a extinção de espécies do nosso planeta? “Não vale, não podes matar baleias!”, “Não, não, é tradição, estou no coito!”. Roça até o estúpido. Levando a espécie a extinção não terão de parar de qualquer maneira? Poderíamos ser mais cruéis e egoístas?

Mas realmente não precisamos de ir para as terras nipónicas para nos depararmos com este nível de crueldade. Temos a nossa querida tauromaquia bem presente em Portugal. Talvez não tão grave, porque não se trata de uma espécie em extinção, mas sem dúvida mais cruel, porque fazemos dos maus tratos e da tortura um espetáculo. O Japão, além da tradição, pode alegar que a caça da baleia é uma prática em que os restos do animal são aproveitados e que é estimulante para a economia do país. Continua a ser estúpido, mas remotamente compreensível. A tourada é só estúpida.

Não existem argumentos que desculpem a tortura animal. Muito menos a tradição. Não li, vi ou ouvi um único argumento a favor da tourada que me fizesse pensar duas vezes, “Epá, sim, se calhar até faz algum sentido”. Não existe tal coisa. Chega ao absurdo de haver pessoas que dizem que Deus criou o touro para lutar na praça e, assim, morrer com dignidade! Deus…  Estamos a ver aqui umas lacunas de intelecto, não é? Espero não ser só eu.

Outros argumento que li foi a tourada permitir uma descarga coletiva de sentimentos negativos e agressividade. Não, não, isso chamam-se orgias, e geralmente ninguém morre. Pelo menos com uma estaca no lombo. Quer dizer… Bem, não interessa.

Vemos muitas vezes um discurso falacioso, que defende este tipo de tradição como um ato ético e dignificante, mas que maior parte das vezes é utilizado para esconder lobbys e os interesses de quem tira partido das mesmas.

Numa altura em que devíamos estar a progredir como sociedade, ver coisas como a que aconteceu agora no Japão, ver que, em Portugal, tudo continua na mesma em relação as touradas, apesar da luta para acabar com este tipo de crueldade já ter bastantes anos, bem como de iniciativas recentes de partidos como o PAN e BE contra estas práticas, faz-me questionar porque que continuamos a colocar pessoas a frente da carroça que constantemente a empurram para trás.

Porque que continuamos a encher a assembleia com conservadores, ignorando de que lado se sentam ou que cores vestem, que impossibilitam o país de se desenvolver e reduzir este atraso de 15 ou 20 anos que temos em relação a alguns países europeus e americanos, onde cada vez mais se vê um maior liberalismo, aceitação, compreensão e, a cima de tudo humanidade.

Em ano de legislativas, vamos tentar ser conscientes e coerentes, sim? Vamos informar-nos. Não se queixem nas redes sociais contra estas coisas depois de encherem o parlamento de agro-betos, tá bom? Fica combinado então.

Para me despedir deixo-vos com uma pequena curiosidade.

Quem gosta e apoia a tourada tem 67% mais probabilidade de ter hemorroidas, derivado a todos eles praticarem sexo anal a bruta com equídeos, sugere estudo que não acabei de inventar para os fetichistas de cavalos terem outra coisa com que me criticar .

Oh ‘pa mim sempre tão generoso, só dar, só dar…

Até a próxima, meus chapas.

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