É Proibido, Mas Pode-se Fazer

No outro dia estava satisfeitíssimo a beber o meu café e a procrastinar, enquanto me punha a par das notícias, ao que me deparo com… Isto.

“A polícia espanhola prendeu em Ibiza um condutor de 31 anos que acusou positivo em todas as drogas detectáveis no teste.”

Ao que eu penso, “tá bem, se calhar o teste só detectava álcool e estes gajos estão a enrolar-me”. Não. Não, não, não. O teste detecta cocaína, metanfetaminas, opiáceos, cannabis e anfetaminas. Este indivíduo não era uma pessoa, era uma farmácia com carta de condução. Curiosamente, não foi detectada uma gota de álcool. Ora, como bem sabem, as drogas detectadas neste jovem não são legais, o que faz dele a maior caricatura do panorama actual das drogas que alguma vez existiu.

Custa-me criticar o conservadorismo repetidamente (não custa não), mas será que a insistência em manter a ilegalidade de drogas que têm já sido debatidas vezes e vezes sem conta, como a cannabis, fará sentido? Não estaremos a fazer mais mal que bem?

Tanto em Espanha, como pudemos ver pelo cartoon andante descrito acima, como em Portugal, é fácil arranjar este tipo de drogas e há poucas, ou nenhumas, consequências legais por consumir. A lei não está a impedir ninguém de vender, não está a impedir ninguém de comprar e muito menos está a impedir alguém de consumir.

Ora. Assim sendo, eu tive uma ideia genial.

E se legalizássemos a cannabis, existissem certificados tanto para vendedores como produtores, para garantir a qualidade? Algo que não existe com os vendedores de rua e muitas vezes causa problemas graves no consumo deste tipo de substância.

E se vendêssemos a preços inferiores aos praticados na rua, fixados pelo governo, para tirar clientela aos vendedores de rua e garantir que existe dinheiro a fluir para os portugueses e para o estado, em vez de para um druglord qualquer em Marrocos?

E se optássemos pela hipótese que regulamenta e controla a venda e consumo, e a cima de tudo, que nos desassocia de uma indústria, se é que lhe podemos chamar isso, de violência e criminalidade, em vez de continuarmos a contribuir para a sustentar?

Podemos ver o recente exemplo de sucesso da Califórnia, onde um ano de legalização de cannabis fez mais para o combate às redes de tráfico do que 20 anos de polícia especializada no combate às drogas.

Iria haver um aumento no consumo, é claro, mas é um consumo controlado e regulamentado, e na minha opinião nem seria um aumento significativo, talvez houvessem curiosos numa fase inicial mas, quem quer fumar cannabis, hoje em dia já fuma.

Além de que enrolar uma broca é uma habilidade que calculo que seja difícil, e o tuga é preguiçoso por natureza. Só isso já seria barreira suficiente para não haver um aumento assim tão grande. Ainda estou para conhecer um fumador que só fume tabaco de enrolar durante mais de três meses.

Isto parece fazer sentido, não é? E estas ideias (algumas, vá), na verdade, não são minhas. Estes argumentos, e muito mais, foram ontem apresentados em assembleia, pelo Bloco de Esquerda e PAN, mas a maioria conservadora, prevejo eu, insistirá em chumbar o projecto de lei quando este for a votação, ainda hoje. O PSD já ameaçou que iria votar contra, enquanto que o PS se mostrou neutro, dando liberdade aos seus deputados para votar livremente. Mas com um não garantido da direita, e a incerteza de para que lado irão os votos do partido do governo, é quase certo que o projecto ficará pelo caminho.

Gostava que alguém me conseguisse explicar esta mentalidade retrógrada, que insiste em marginalizar o consumo recreativo de cannabis, e gostaria igualmente de explicar-vos porquê que não têm razão. Quem usar Deus e religião, perde automaticamente.

3, 2, 1, vai!

4 comentários em “É Proibido, Mas Pode-se Fazer

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  1. Falemos assim, se desde menino te derem uma palmada na mão sempre que vais pegar numa chavena, e quando cresces te explicam que a chavena é má e leva ao consumo de chávenas piores, por ordem de Deus e todos seus apostolos, qual seria a tua opiniao? visto que nunca pegaste numa chavena e nao tens uma opiniao de causa?

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    1. Eu cresci nesse ambiente, acho que essa resposta é suficiente. Todos devemos chegar a um ponto em que somos críticos, pensamos por nós e questionamos os valores que nos passaram enquanto crianças. Ou então podemos continuar a ser ovelhas 🐑

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      1. Eu sei que cresceste caro amigo (eheheh).
        A questão é que são decadas em que toda a informação disponivel era de demonização das canecas em questao, eu vejo em adultos uma certeza do que é correto e o que não é. Este é o resultado da campanha das tabaqueiras, e mais nao digo.

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