Glass Review

Glass é a sequela de Unbreakable e Split, e capítulo final da trilogia genial e bizarra de M. Night Shyamalan. Vou falar abertamente dos filmes anteriores, por isso… spoilers?

Glass traz-nos o culminar de tudo o que foi construído nos filmes anteriores. Vemos o regresso de David Dunn e Mr. Glass, bem como da Horda, o psicopata com múltiplas personalidades que foi o foco principal do filme Split, para a conclusão de uma saga de super-heróis e vilões, muito reais e com os pés na terra (mais ou menos, vá…), que levanta questões sobre as nossas próprias capacidades enquanto seres humanos.

O filme está dividido em 3 atos bem definidos. Um primeiro, que nos põe a par da vida de David Dunn, 19 anos depois dos eventos de Unbreakable. Dunn abraça a ideia de que é um super-herói e continua o seu trabalho como vigilante. Como vimos nos instantes finais de Split, Dunn anda agora ativamente atrás da Horda, e é esta a premissa que serve de combustível para o primeiro ato e para tudo o que se desenrola depois.

O segundo ato do filme abranda um pouco, focando-se mais na tensão e no suspense, em oposição a um primeiro ato com mais ação. Nesta parte temos um foco maior nas três personagens principais, depois de terem sido capturadas por um instituto psiquiátrico para serem estudados e curados da ideia de que são seres sobrehumanos.

Pessoalmente achei que esta foi a melhor parte do filme, podemos ver a Horda, brilhantemente interpretada por James McAvoy, de um ponto de vista analítico e num ambiente controlado, de uma maneira que não foi possível em Split. Desta vez podemos ver muito mais personalidades do psicopata, muitas vezes a saltar rapidamente de uma para outra, demonstrando o fantástico talento de McAvoy.

A tensão é uma constante durante o tempo que passamos no hospício, pela imprevisibilidade, pela constante sensação de que há algo muito maior a passar-se do que é transmitido ao espectador, uma sensação que M. Night Shyamalan já nos habituou.

O senhor fez um bom trabalho na realização, com algumas escolhas artísticas interessantes, mas que, em alguns casos, não me convenceram, como a utilização excessiva de planos “point of view”. McAvoy, como referi, é sem dúvida a estrela do filme, como os créditos finais muito bem assinalaram, o homem interpreta imaculadamente mais de 20 personagens, desde crianças, mulheres, personalidades com línguas diferentes, sotaques diferentes, tons de voz, enfim… Brilhante. Onde está o Oscar? Não está.

Bruce Willis não esteve mal no seu regresso como David Dunn, apesar de ter passado pouco tempo no ecrã. Samuel L. Jackson, que interpreta a personagem titular, apesar de ter passado grande parte do filme “encostado a box”, no último ato faz um trabalho excelente no papel do vilão megalómano.

Infelizmente é das poucas coisas excelentes no terceiro ato, pois é também neste que a história começa a perder o fôlego. Numa conclusão que tenta ser demasiado grandiosa, Glass acaba por adicionar complexidade desnecessária a história e perder o foco, resultando num desfecho anti-climático e, discutivelmente, insignificante.

Ainda assim, é um final digno para uma trilogia inteligente e inquietante que, convenhamos, seria difícil estar ao nível das expectativas. Para quem gostou dos filmes que o antecederam, Glass vai deixar-vos de barriga cheia, mas com o bichinho de que podiam ter comido uma sobremesa melhorzita.

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